


A partir de hoje, vou colocar comentários sobre livros que li ou estou lendo. Como leio muito, com o tempo vai ficando, na minha cabeça, um grande livrão, aonde às vezes personagens se misturam.
Tenho intercalado romances históricos com livros de mistério que se passam no presente. A razão disso foi fugir da realidade e problemas atuais para um mundo (o passado) no qual os acontecimentos nunca poderão me preocupar. Afinal já aconteceram e, bem ou mal, já foram resolvidos.
Em 2006 minha personagem principal foi Sister Fidelma, personagem de Peter Tremayne (nome de plume de um grande scholar de história da Irlanda). Fidelma é um freira da antiga Igreja da Irlanda. Os romances se passam no momento em que Roma está usando todos os truques sujos de seu repertório para firmar sua hegemonia em território irlandês.
Fidelma além de freira é também irmã do rei de um dos cinco reinos que formam a Irlanda e juíza, com um cargo equivalente ao de um juiz do STJ. Seus estudos lhe deram um nível que permite que se sente em nível de igualdade com os reis.
Na Irlanda, nessa época, a igualdade entre os sexos era total e as mulheres usufruiam um lugar na sociedade que só irão atingir ( e assim mesmo com tetos de vidro, etc.) na segunda metade do século passado.
Não existia ainda o celibato na Igreja romana, a não ser para bispos. É o momento em que se começa a tentar impor essa nova idéia.
Fidelma tem como companheiro de viagens e aventuras um frade saxão da Igreja Católica de Roma. Os saxões tinham se convertido a pouco tempo e eram vistos como bárbaros pelos irlandeses.
Durante o transcorrer das aventuras, Tremayne vai comparando as três culturas: a irlandesa, mais sábia e "moderna" e a católica e a saxã, mais restritivas e "conservadoras". Esses dois termos eu uso com cuidado, por isso as aspas, porque só são modernas e conservadoras numa visão atual, tendo significado inverso na época: a irlandesa é a antiga e a católica romana a nova.
É um excelente meio de se demonstrar como a hegemonia da Igreja de Roma levou a Irlanda à um obscuratismo que irá durar até o fim do século XX. São demonstrados também os meios espúrios usados por Roma em sua busca por essa hegemonia.