6/23/2008

Aprendendo a nadar

Aprendi a nadar de uma forma pouco convencional.

Minha primeira experiência foi no Instituto Jaguaribe, na rua Jaguaribe. Meu irmão, o Juca, que é três anos mais velho do que eu foi fazer o curso de natação e eu fui junto. Lógico que não me conformei de não participar da brincadeira. O professor era um alemão mal-humorado e cansado da zoeira que eu estava fazendo, simplesmente me levantou e jogou no meio da piscina. E eu sai nadando, e nado até hoje.

A segunda vez foi em Valinhos. Meus avós tinham um sitio de 9 alqueires, com a sede da antiga Fazenda Pinheiros, do tempo da escravidão. Meus avós, que eram muito caprichosos, remodelaram e modernizaram a sede e tinham uma quinta portuguêsa até com um moinho de vento. Meu pai chegava no sítio São José dos Pinheiros e começava a dormir. Certa feita, ele ficou encarregado de tomar conta de mim e como sempre pegou no sono. Às tantas, ele acordou com uma coisa gelada encostando nele. Era eu, que tinha caido em um lago artificial que ficava no jardim na frente do terraço em que o meu pai estava sentado. Eu me lembro bem desta nadada. A água era esverdeada, e o fundo era cheio de limo e escorregava muito. Mas, de um jeito ou de outro, escorregando e levantando até chegar na beirada, eu consegui me salvar sozinho

Eu não tinha a menor técnica e era um grande nadador do estilo "cachorrinho". Para corrigir isso, entrei nas aulas do "seu" Perreira, instrutor do Harmonia. Nunca bati tanta perna na minha vida. Ele dava uma táboa de cortiça, que boiava e a gente ficava atravessando a piscina pelo razo, ida e volta, ida e volta, batendo as pernas.

Passei grande parte da minha infância dentro da piscina do Harmonia. Na parte funda da piscina tinha dois trampolins. Um era uma prancha com regulagem e o outro era um trapolim de 3 metros, para salto ornamental. Nós, os meninos, gostavamos de pular lá de cima, bater o pé no fundo e sair da piscina para começar tudo de novo. Um dia, eu pulei e não alcancei o fundo. Com isso ficou mais difícil chegar até a superfície. No meio do caminho, eu comecei a engolir água, na ânsia de respirar. Mas pensei comigo mesmo, que se eu não parasse de respirar eu iria me afogar. Fechei a boca e nadei até a beirada da piscina. Chegando na beirada, eu vomitei um monte de água, tossi muito e tive uma grande dificuldade para sair da piscina, pois os meus braços e minhas pernas haviam ficado muito pesados.

Mas o que mais me espantou é que a piscina estava cheia de gente e, ninguém, mas ninguém mesmo, percebeu o que havia acontecido. Desde então, adquiri um grande respeito por piscinas e fiquei para sempre consciente de como é fácil uma criança se afogar sem que ninguém veja e possa fazer alguma coisa.

Não nado bem, não tenho estilo mas não me afogo mais. Ou pelo menos, não tive mais sustos.

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