Ontem fomos assistir The Seagull de Anton Tchecov.É uma montagem inglesa, como sempre, excelente.
No papel de Arkadina (principal feminino) Kristin Scott Thomas. Esse papel é conhecido pela dificuldade, e Scott Thomas está ótima.
Todo o elenco é extraordinário. Os cenários simples e por isso difíceis. Principalmente o primeiro, com um fundo preto, algumas árvores à esquerda, alguns tocos de árvore e duas pranchas de madeira. Parece uma bobagem, não é mesmo? Vá tentar fazer e conseguir o mesmo resultado.
As roupas são muito bonitas.
Em suma, teatro com T maiúsculo.
Mas Clarissa e eu temos notado uma coisa: o público de teatro está ficando velho. É um mar de cabeças brancas e provavelmente nós estamos entre os mais moços. No The Seagull, devido provavelmente à Kristin Scott Thomas, vimos mais gente moça. Mas nas outras peças teatrais temos sempre a impressão que o público não está se refazendo, que o teatro, desse jeito vai ser uma forma de expressão morta em poucos anos.
Os musicais são outra história, com platéias sempre lotadas e com muitos jovens. Mas aqui o perigo é outro: a invasão da Broadway pela Disney Productions. Disney já está com três peças em cartaz. A primeira, The Lion King já está em cartaz a 10 anos.
Como eu vejo, o problema é que esses musicais se eternizam nos teatros, impedindo que se produzam boas peças novas. Outro problema é que como o principal são os personagens, os artistas principais não têm o devido destaque, pois afinal o público vai ver Mary Poppins e não "fulana de tal" fazendo esse papel. Os artistas passam a não ter maior importância. E, vamos e venhamos, os textos são fracos e infantis. As músicas são passáveis, mas não marcantes como no musical tradicional.
Nós temos três filhos, dois homens e uma mulher, e criamos os três com bastante teatro e musicais. Dos três, nenhum vai ao teatro. E dois gostam de ópera mas não gostam de musicais. Uma pena.