
Nós moramos em Nova York de dezembro de 1999 até outubro de 2003.
Mudamos três vezes, mas no mesmo prédio. Fomos do 7B para o 4E e de lá para o 20B. Fomos melhorando de padrão a cada mudança e o último apartamento dava para a 65th Street em toda a extensão do prédio, com dois terraços, uma sala em L e três quartos. Para Nova Yorque era um palácio. Bem, um palacete.
Todos os dias desses quatro anos nós levávamos nossas três cachorras, a Sissi, a Sophie e a Emilia para fazer as necessidades. A Clarissa levava as duas primeiras que eram Golden Retriver e eu levava a Emilia que era uma Shar-pei.
As duas primeiras tudo bem, eram calmas, obedeciam comandos de voz e adoravam passear.
A Emília por sua vez era um horror. Ela odiava Nova York. Estranhava os barulhos e as pessoas, comprava brigas com outros cachorros e ..... teve diarréia durante os 4 anos.
Como em toda cidade civilizada, em Nova Yorque a gente tem que catar os cocôs que os cachorros fazem.
Eu tive que desenvolver toda uma técnica para conseguir recolher o líquido que a Emilia produzia. Levava um caderno do NYT e vários saquinhos de supermercado. A Emilia abaixava derrepente, já em plena função. Não sei nem dizer o número de vezes que o jorro que ela produzia me atingiu a mão ou os pés. Mas voltando à minha técnica, quando eu via que ela ia abaixar, eu jogava o jornal aberto embaixo dela. Depois de terminado, eu vestia lentamente um saquinho plástico no jornal e amarrava as alças. Depois punha dentro de outro saquinho e jogava na primeira cesta de lixo que encontrava. Isso nos meses mais quentes.
No inverno tudo piorava. A Emilia, ao contrário da Sissi e da Sophie que adoravam brincar na neve, odiava o frio, o chão molhado e tudo que não fosse um dia quente e ensolarado.
Ela pisava de modo diferente, usando só a pontinha das patas, quase que só as unhas, e andava devagarzinho para molhar o mínimo possível as patas. Eu dizia que ela tinha colocado o salto alto.
E o intistino piora muito. Azar meu. Quantas vezes nos quatro invernos que vivemos em Nova Yorque eu não pensei em jogar a Emília junto com os saquinhos na lata de lixo.
Para alegria dela, a Emilia morreu em 2008 em São Paulo, depois de cinco anos felizes sem inverno forte e sem neve.