
A primeira vez que eu vi neve na minha vida foi em St. Moritz, na Diavolezza. O ano era 1960 e eu estava realizando o sonho de conhecer a Europa.
O único problema foi o fato de ter sido no mes de julho que eu tive a oportunidade de subir na Diavolezza. Ainda tinha um pouquinho de neve, bem pouquinho.
Mas mesmo assim era neve. Finalmente eu estava vendo e tocando neve.
É difícil para quem sempre morou num país com as quatro estações bem definidas (flores na primavera, sol no verão, folhas amarelas e avermelhadas no outono e neve no inverno) entender o que é para alguém vindo de um país com verão o ano todo ver neve pela primeira vez.
É algo mágico, uma coisa que você só conhecia do cinema. Por mais que se abrisse a geladeira e visse o gelo se formando nas paredes do freezer, que se examinasse cubos de gelo, a idéia de algo macio e imaculado (pelo menos a gente imagina assim) vem sempre à cabeça.
O que eu vi foi uma mancha de neve suja e velha, meio derretida e muito, mas muito diferente do que eu tinha imaginado.
Mas mesmo assim, era NEVE. Na hora que eu vi a neve, eu imediatamente comecei a escalar a neve (mais gelo) escorregadia até onde eu consegui, me virei e me sentei. Minha volta para o lugar que estavam me esperando foi escorregando de bunda, sem nada para proteger e manter quente a própria.
Quando eu no final me sentei no carro, na base da montanha, minha bunda estava gelada e minhas mãos insensíveis. Mas eu, ADOREI.
Foi uma das coisas mais gostosas que eu fiz até aquele momento.