Hoje é o dia do palpiteiro.Já que falei da indústria automobilística americana vou falar também dos bancos.
Os bancos americanos têm passado por apertos imensos, imensos prejuízos e uma desmoralização que talvez danifique a imagem dos bancos para sempre.
Todos ficamos sabendo pelos jornais as causas do atual rombo do sistema bancário. Pelo menos da causa mais aparente: o problema com as hipotecas.
Não vi analizado ainda o que aconteceu que possibilitou que os bancos chegassem a este ponto.
Aqui vai a minha opinião.
Primeiro: durante as últimas décadas, os bancos foram se fundindo e criando gigantes incontroláveis.
Segundo: os bancos, que nos USA só podiam funcionar em um estado, o que os mantia em um tamanho manejável, passaram a poder operar nacionalmente. Essa razão, somada à anterior, levou a gigantes nacionais.
Terceiro: a desregulamentação do setor levou a um capitalismo selvagem, aonde tudo era possível pois não havia um entidade governamental para fiscalizar os bancos de forma adequada.
Quarto: a possiblidade de ganhos rápidos com hipotecas concedidas sem um estudo mais profundo e a criação do mercado de derivativos que cobria com mais camadas a falta de cuidado das instituições na contratação desses empréstimos, levaram aos USA um número imenso de aventureiros inescrupulosos que funcionavam como corretores de hipotecas e que entregavam os pedidos de empréstimo preenchidos de forma a esconder a real situação dos tomadores. Para isso usavam documentos falsos e o que mais fosse preciso para conseguir arrancar de seus clientes sua comissões. Esse verdadeiros bandidos, vindos do Iraque, do Marrocos, da Europa como um todo e da América chamada Latina, receberam suas comissões, fizeram verdadeiras fortunas e agora já devem estar de volta a seus países de origem, sem que o governo possa alcançá-los e, o que seria ao meu ver justo, tomar de volta essas comissões mal ganhas. Quem ganha uma comissão deveria, a meu ver, ser responsável pelo empréstimo até a sua finalização. Se o empréstimo tem um defeito inicial, proposital ou não, a comissão não é devida e, pelo contrário, uma penalidade deve ser aplicada.
Os bancos também não são inocentes. Aonde estavam os milhares de analistas, muito bem pagos, que deixaram passar tanta operação inviável? Acredito que eles também deveriam ser responsabilizados e responder aos bancos com seus bônus e gratificações indevidamente pagos.
Quinto: o fato dos bancos hoje serem administrados apenas por bancários e não mais por seus donos. Um bancário é criado no sistema de metas sempre a curto prazo. Atingindo as metas, os salário são acrescidos de comissões. A remuneração é baseada, desta forma, em produção em vez de em lucro real. Devido a essa falha básica de visão, o resultado é visto anualmente e não no correr do tempo. Afinal uma hipotéca, por exemplo, leva de 25 a 30 anos para ser paga mas o lucro dos bancos é baseado na contratação desses empréstimo. Um bancário pode receber uma gratificação em dezembro pelo produção realizada no exercício e o empréstimo dar prejuízo à instituição em seis meses. Essa operação foi boa ou má para o banco? Foi má. Mas como fica a gratificação já paga? Paga, não se analiza mais o merecimento de quem a recebeu.
Em minha opinião, quem recebeu comissões, bônus e gratificações ao mesmo tempo que levavam a instituição que trabalhavam à falência deveriam devolver esse dinheiro, que foi, na verdade um dinheiro mal-ganho, indevidamente pago.
Os bancos brasileiros, apesar do gigantismo criado pela política delfiniana de fusões e ao fato de não emprestarem mais dinheiro aos clientes a não ser a taxas de agiotagem (ou talvez por isso mesmo) não sofreram tanto com a crise bancária mundial. Afinal, os bancos brasileiros ainda são administrados por seus donos, o que faz uma diferença imensa.
Eu acho que se um banco, da mesma forma que uma indústria, fica grande a ponto de poder danificar a economia de seu país, ele é grande demais e deve ser dividido da mesma maneira que foi feito com a Standard Oil no século passado.
Um número maior de instituições tem a vantagem de servir melhor os clientes. Com uma competição maior 0 cliente tem maior possibilidades de conseguir taxas menores, serviço melhor e mais poder de barganha. Isso sem o risco do setor funcionar como um oligopólio.
A minha receita é quase uma receita de bolo: instituições menores, maior controle governamental, mais visibilidade nos balanços e uma forma de pagamento diferente dos administradores, com mais responsabilidade por seus atos e em vista do lucro real do banco e não da produção de cada funcionário.
Simplista? Talvez, mas tenho certeza que esqueceram dessas regras básicas para o bom funcionamento de um banco.