12/05/2009

Gay marriage




Eu tenho uma posição muito clara e definida quanto à necessidade de se legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O casamento gay (“gay marriage” como chamam nos Estados Unidos) é o assunto do momento em quase todos os Congressos estaduais americanos.

Ainda esta semana foi votado no Congresso de Nova York um projeto, e foi derrotado.

A legalização de uniões entre pessoas de mesmo sexo nos Estados Unidos está sendo bombardeada pelos grupos religiosos de todo o país.

Os EUA se dividem basicamente em dois países bastante diferentes entre si.

De um lado nós temos as duas costas, nas quais se destacam Nova York na costa leste e a California na oeste, que são estados constituídos em sua maioria de pessoas cosmopolitas, modernas e com uma mentalidade praticamente igual a dos países mais adiantados do mundo, como os países escandinavos, Inglaterra, Holanda, etc.

De outro lado, temos o que eu chamo de “o meião”, que são os estados americanos mais conservadores, e uma parte desses é o "Bible Belt", o Cinturão da Bíblia, formado por estados habitados basicamente por batistas e evangélicos. Podemos incluir também os mormons de Utah entre estes conservadores de centro dos EUA.

Todos os grupos religiosos americanos são contra a união estável entre pessoas do mesmo sexo ser legalizada.

No ano passado os mormons conseguiram uma vitória quando, através de uma campanha acirrada que pegou as organizações liberais desprevenidas, conseguiu reverter a lei que legalizava o casamento gay na Califórnia.

Esta semana em Nova York acredito que a grande vitoriosa foi a Igreja Católica.

Os argumentos dos religiosos é que o casamento é um sacramento (e aqui eu ponho ênfase na palavra sacramento, que eu vou desenvolver nas conclusões), um ato sagrado citado na Bíblia, do qual só podem fazer parte um casal, ou seja, um homem e uma mulher.

O que se deseja com a união legal de pessoas do mesmo sexo é, principalmente, resolver questões práticas e legais, como fazer do parceiro (a) herdeiro automático dos bens do falecido (a), bens esses que foram adquiridos principalmente durante o período em que os parceiros viveram juntos.

De prático, o que me vem primeiro à cabeça é a necessidade do parceiro (a) ser reconhecido como o parente mais próximo no caso de hospitalização. Somente o parente próximo pode ter acesso aos doentes em estado grave, ter acesso à ficha médica e ter participação das decisões que dizem respeito à métodos de tratamento, se o paciente deve ser ressussitado, se os orgãos podem ser doados, do lugar do sepultamento, da forma de cerimônia a ser realizada em caso de enterro, etc., etc. e tal.

Muitas famílias de homosexuais tem uma relação estremecida com seus membros que decidiram por uma forma de vida que difere das normas tradicionais. Tem uma tendência a achar que o parceiro é culpado da "corrupção" e do afastamento de seus filhos(as). A primeira medida que tomam, em caso de doença grave, é afastar completamente o parceiro de todas as decisões e mesmo de ter contacto com os doentes. E os parceiros, não tendo nenhum direito legal, são obrigados a se submeter a essa violência.

Esses casos e uma infinidade de outros são os argumentos a favor da legalização.

Os argumentos contra são, principalmente, a "depravidade" da opção sexual, o fato de se estar conspurcando um sacramento e que essas uniões vão contra a vontade de D-us.

Minha primeira pergunta é: quem determina o que é depravado e o que é "normal"?

Essas pessoas têm um contacto direto com D-us, que lhes teria dito o que Ele é contra, o que acha normal e o que as pessoas devem fazer?

Desde quando o casamento é um sacramento?

Minhas respostas (até que D-us me corrija pessoalmente) são:

O que é "normal" numa relação consentida entre dois adultos que se amam? É o que a maioria pratica? Como alguém pode saber exatamente o que a maioria pratica? E quando o "normal" passa a ser considerado proibido, aonde fica o conceito de "normalidade"?

Na minha opinião, qualquer pessoa que afirme que falou com D-us, ouviu a voz de D-us, (incuindo entre elas o próprio Papa) está necessitando um bom tratamento psiquiátrico.
Não é uma questão de acreditar ou não em D-us, mas de se ter a consciência e a humildade de saber de nossa própria insignificância no Universo.

A última parte: o casamento como sacramento, merece um análise histórica da instituição do casamento.

O casamento, desde o começo da dominação cristã, só era importante quando era entre nobres. Era uma questão de alianças, de controle das terras e das fontes de renda, das tropas dos vários aliados e do apoio à Igreja Católica. Mesmo assim eram bençãos dadas pelo religioso na porta da igreja e não eram de maneira alguma um sacramento.

Com a necessidade de se exercer maior controle sobre as populações dos vários reinos, todas as uniões começaram a ser homologadas pela Igreja através de bençãos, ainda na porta das igrejas.

Somente com o passar dos séculos que se foi "sacramentando" essa benção e a cerimônia foi sendo transferida para dentro das igrejas.

A grande preocupação do casamento era sempre com os bens e com os filhos resultantes destas uniões. Era um contrato com valor legal que regularizava e normatizava uma série de aspectos dos casamentos. Mas "sacramento" é uma invenção quase que contemporânea.

Eu não consigo entender como alguém se preocupa tanto com a vida dos outros e por que não querem regularizar a situação de todas as uniões. Por que se nega os direitos fundamentais para uma parte da população. Com que direito?

As pessoas que querem a legalização de uniões entre pessoas do mesmo sexo pagam os seus impostos, têm o direito de voto, a obrigação de fazer parte de juris, durante muito tempo tinham a obrigação de se alistar para qualquer guerra que se julgasse necessária. Têm todos os direitos e obrigações que fazem parte da cidadania, menos esse direito fundamental.

O que resta saber é se as pessoas que combatem essa legalização têm o direito de lhes negar essa parte da cidadania. E se com essa proibição não se estaria começando uma caça aos outros direitos dos gays.

Os direitos são um todo e não podem ser negados em parte para nenhum cidadão, como as obrigações também são parte de um todo e não podem existir sem que todas as partes dos direitos dos cidadãos sejam respeitadas.

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