6/13/2011

Buenos Aires: 50 anos de amor



Eu adoro Buenos Aires.

A primeira vez que eu vim para cá foi em 1961. Vim de navio, não me lembro o nome (provavelmente o Augustus ou o Conte Biancamano).

Vim com papai, mamãe e um amigo muito querido, Tony McCulloch.

Uma cidade linda, com um comércio de primeira linha, cafés no estilo europeu, um hotel de alto-luxo, o Plaza, e muita coisa para descobrir.

Fomos ao Tigre visitar e passear de barco, olhando as casas lindas nas suas margens.

Fomos a um restaurante Húngaro aonde alguns ciganos tocavam músicas em seus violinos. O lugar se chamava El Caballito Blanco e ficava perto do Plaza.

Me lembro ainda que ganhei o meu primeiro "Martin Fierro", em uma edição ilustrada e muito linda.

Voltamos para Santos em outro navio, cujo nome também me escapa.

Voltei constantemente para cá. Em 62, outra vez de navio, com meus pais e minha prima Maria Helena. Desses navios eu me lembro fomos com o Provence, que depois mudou o nome para Federico C e voltamos com o Eugenio C, ou vice-versa.

Nesta viagem, tentando melhorar meu nível cultural, meus pais levaram Maria Helena e eu para um espetáculo de Ópera no famoso Teatro Colón. Era uma ópera escrita por um francês relatando o amor de Ulisses por sua mulher que tecia uma tapeçaria durante o dia e a desmanchava durante a noite, evitando assim ter de se que se casar com os vários pretendentes que apareceram quando a demora de Ulisses de voltar para casa levou a que se pensasse que ele havia morrido em sua viagem.

Você imagina que para o Ulisses evitar as sereias e as divindades que o acediaram durante a Odisséia, que a Penélope, sua mulher, fosse uma mulher linda e maravilhosa.

No final do primeiro ato, enquanto o Ulisses, meio velho e bastante magro, cantava, aparece Penélope, como em um sonho. Era uma mulher de meia idade, loira e muito, mas muito gorda. Eu e a Maria Helena começamos a ter ataques de riso mas nos controlamos, porque um não sabia da reação do outro.

Comentamos como tínhamos nos controlado para não ter um ataque de riso e tudo bem.

Segundo ato: Penélpe agora aparece de vermelho e dourado, que fazia que parecesse que ela era o dobro do tamanho. E, como se não bastasse a enormidade da cantora, o "galã" Ulisses cai de um tablado no palco, de cerca de um metro. E não parou de cantar.

Eu e Maria Helena caímos na gargalhada e saímos chorando rir e correndo em direção à porta. O maior vexame.

Acabamos voltando a pé para o hotel, rindo sem parar.

Não sei se melhorou a nossa cultura, mas como comédia e riso medicinal foi ótimo.

Depois estive aqui por toda a década de 70. Peguei todos os grandes acontecimentos históricos e políticos argentinos.

A reeleição do Peron, a sua morte, a renúncia do brujo para que ele pudesse ser Presidente, a posse da Stella Peron, sua queda, e outros acontecimentos mais.

Lógico que sempre com grande movimentação popuar e perigo de alguma guerra civil. Aquele medo de ficarmos retidos aqui na Argentina só passava quando chegávamos em São Paulo.

A década de 70 minha companhia era a minha primeira mulher, a Margarida.

Já na década de 80 eu vinha para encontrar queridos amigos.

Fiquei muito amigo de um tenista argentino, o Hugo Varela e de sua mulher Adriana. Acabei mais amigo de Adriana e de seu irmão, o Gustavo Lichinchi, artista plástico, empresário musical e um irmão querido.

Chegando aqui me sinto em casa e em família.

A Adriana se tornou cantora de tangos, a melhor hoje em dia na Argentina. Antes de começar a carreira, uma vez ela me perguntou se devia se meter com o tango, um reinado quase exclusivamente masculino. Nós cantávamos no apartamento da Adriana milongas, tangos e músicas subversivas (essas bem baixinho porque foi durante a ditadura militar).

Adriana tem um voz rouquinha inesquecível. Sou apaixonado pela cantora e por sua voz. Desde 1979, quando a conheci grávida de seu primeiro filho, Rafael, ou Videlita, como eu chamava tirando sarro (Rafael Videla era o general de plantão nessa época).

Continuo muito amigo da família toda. Adoro falar no telefone com Amália, a mãe dos dois que não encontro a bastante tempo.

Mas o Gustavo é um caso muito especial. Ele morou no Brasil por cerca de um ano. Vivia na minha casa e trabalhava com O Ricardo Corte Real na TennisEsporte. Quando se casou com s Silvia, esposa que talvez não merecesse, passou sua lua-de-mel na Fazenda Guatapará, na casa que eu tinha na Praia dos Ossos, Búzios, em em São Paulo.

Temos nos encontrado de tempos em tempos, aqui ou em São Paulo, Miami e aonde seja.

Minha esposa Clarissa, por sorte, também gostou muito de todos, sendo que teve mais contacto em 2008 quando viemos a Buenos Aires e fomos recebidos como realeza.

Desta vez vim sem a Clarissa mas o Fito, que tinha vindo conosco em 2008 está comigo.

E, de novo, tapete vermelho para nós.

Estou mais uma vez em casa e em família. Obrigado Lichinchis/Varelas.

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