Estamos passando por um dos momentos de maior transformação em conceitos e funções que considerávamos definitivos no século XX.
Com a mudança econômica que estamos vivendo e a globalização das Grandes Empresas, o Estado com o conhecemos está perdendo, em um ritmo cada vez mais rápido, sua função de mediador entre o Capital e o Trabalho. Da mesma maneira, a função que o Estado exercia de controle sobre a formação de cartéis e monopólios está sendo enfraquecida pela absorção de empresas nacionais de todos os setores por Corporações Multinacionais que começam a criar monopólios mundiais que escapam do controle de qualquer nação atual, por mais poderosa que seja.
O Trabalho é o primeiro a perder terreno. As poucas vitórias que foram conquistadas, principalmente na segunda metade do século passado, estão progressivamente sendo perdidas devido, de um lado pela falência de todos os fundos e estatais criados para garantir tratamentos médicos, aposentadorias e outras funções previdenciárias. Por outro lado com a fabricação de produtos de consumo sendo transferida para países do terceiro mundo que não conhecem a proteção trabalhista já alcançada por países desenvolvidos e em desenvolvimento, os empregos vão sendo perdidos nos países que possuem uma legislação trabalhista e sindicatos estabelecidos e causando desemprego nesses países.
O segundo grande perdedor é o Estado arrecador. Com a transferência da produção para outros países, o Estado passa a arrecadar cada vez mais das pessoas físicas, retirando recursos que de outra maneira seriam usados no consumo e por conseguinte na geração de novos empregos no setor de serviços.
As Grandes Corporações Multinacionais casadas agora com o Crime Organizado Internacional, se aproveitam do espaço opaco que ocupam no mundo, para agir com impunidade em várias áreas que "atrapalham" a sua existência. Se têm problema com lixo tóxico, vão encontrar algum cacique de alguma nação inviável aonde com um pagamento mínimo a esse chefe de estado, poderão despejar esse lixo sem as despesas e preocupações que têm nos seus países de origem. Se a poluição é atmosférica, em vez de instalarem filtros e fazerem tratamento de efluentes, transferem suas indústrias para países que não possuem legislação contra a poluição para que possam "diminuir suas despesas".
Assim agindo, seja empregando ou esquentando recursos provenientes do tráfico internacional de drogas, da prostituição, da escravização de pessoas desesperadas e desprotegidas, do crime generalizado, seja poluindo o planeta e mantendo sistemas de governo pouco democráticos, essas Corporações se julgam e se encontram fora do alcance das leis de todos os países civilizados. Se consideram acima do bem e do mal e consideram o Estado seu inimigo natural.
A direita globalizadora então, começa a diminuir o Estado sempre que obtem o poder. Seja sucateando as empresas estatais dos vários países que dominam, seja financiando a compra desse empresas por amigos (e assim obtendo o controle das mesmas) à custa do erário público, ou finalmente pelo simples esvaziamento das funções do Estado e de de sua máquina controladora. É muito fácil para essa Corporações culpar o Estado por todas as mazelas da Nação, esquecendo-se da grande parcela de culpa que cabe somente a elas, Corporações.
Precisamos urgentemente de um novo modelo para um novo tempo. É necessário que a exemplo do que tem dado tão certo nos países europeus, comecemos a pensar em fortalecer organismos de controle multi-nacionais, criar leis mundiais, reforçar o policiamento e a fiscalização mundiais, em suma transferir funções do Estado para orgãos como a ONU, que congregam todas as Nações do Planeta. Precisamos aumentar a democratização desses organismos com a mudança de setores como o Conselho de Segurança da ONU. Precisamos alocar mais recursos para esses organismos para que comecem a policiar as Corporações em nome de todas as Nações e passem a controlar essas Corporações Multinacionais antes que essas usurpem todos os poderes dos Estados e comecem a controlá-los completamente.
Somente um Estado Multinacional poderá impedir a total anarquia que o Capitalismo selvagem quer implantar em todo o Planeta. E as Nações, com funções repensadas, somente ai, poderão ter uma chance de sobrevivência neste nosso século XXI.